Crônicas de um Exilado Linguístico

Bem-vindo!

Não direi quem sou.

Não por mistério, nem por modéstia. Apenas porque gostaria que as ideias tivessem mais protagonismo do que o autor — uma ambição provavelmente ingênua na era das redes sociais.

Basta dizer que deixei o Brasil há muito tempo.

Desde então, passei boa parte da vida aprendendo idiomas. Alguns por necessidade, outros por curiosidade, e pelo menos um só porque alguém me disse que era impossível. Com o tempo, acabei me tornando especialista em línguas estrangeiras.

O curioso é que nenhuma delas acabou me parecendo tão estrangeira quanto a minha própria.

Cada contato com o português brasileiro tornou-se uma pequena expedição linguística. Encontro palavras que mudaram de sentido, construções que nunca tinha ouvido, modismos que surgem e desaparecem antes mesmo que eu consiga entendê-los. Às vezes tenho a impressão de que o português brasileiro evolui com a velocidade de um aplicativo: quando finalmente aprendo a versão atual, já existe outra disponível.

Este blog nasceu dessa sensação.

Não é uma tentativa de impedir que a língua mude. Seria uma batalha tão sensata quanto tentar convencer o oceano a respeitar a linha da maré.

Também não pretende ensinar português a ninguém. A língua não precisa de mais fiscais.

O que encontrará aqui são pequenas crônicas sobre os caprichos, as excentricidades, as elegâncias e, sobretudo, as trapalhadas do português brasileiro contemporâneo. Algumas serão escritas com sincera admiração. Outras, com fingida indignação. Quase todas com uma dose generosa de ironia.

Afinal, se uma língua é o retrato de um povo, ela também tem o direito de sair despenteada na fotografia.

Se, ao final da leitura, você rir, discordar ou sentir uma irresistível vontade de defender o indefensável, então este blog já terá cumprido a sua missão.

Seja bem-vindo.